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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Casas Engraçadas

Depois de ir atrás de algumas burocracias italianas (se eu não fosse brasileiro acharia que isso era pleonasmo, redundância...), é chegada a hora de dar adeus à casa do Possa. Afinal, amigos, amigos, habitação à parte.

Ele cedeu não só um espaço pra mim e pro Dragoni. Seu quarto tem duas camas: uma de casal e outra de solteiro. A primeira é sua oficial, a outra só aparece quando as visitas chegam. Como tem medo de homem, preferiu dormir na de solteiro e deixou os outros dois postos pra gente. A cama é bem grande e isso é bom porque a possibilidade de encontro com o Dragoni é praticamente zero! Então, chegamos à conclusão de que o Possa poderia dormir em sua cama com um de nós e não sofrer naquela outra. Quando você sabe de que ele fez questão de arranjar um quarto sozinho porque se não "ia matar a outra pessoa" é possível perceber que rola uma aversão à pessoas muito próximas.

Então, não era muito bom demorar procurando a nova casa. Talvez seja um dos momentos mais tensos da viagem porque a gente não conhece a cidade (não tem noção de distâncias, de facilidade de transporte, não conhece a cara das ruas... enfim, não sabe porra nenhuma) e já tem que decidir onde vai morar, o que significa o seu gasto mais relevante da viagem, afinal aqui é Roma!

Compra jornal. Procura na internet. E dali algum tempo começamos a sair pra fazer as visitas. Não sabemos o que queremos ainda, mas precisamos dessas ai pra pelo menos ter noção de alguma coisa.

Marcamos alguns pontos importantes no Google Maps (viva a net!) e os apartamentos.

Um dos lugares que fomos o que mais marcou foi que era um apartamento grande, tinham dois gatos, um playground pra eles e o dono falava muito e muito rápido! Não dava pra entender um cazzo do que o cara dizia! E não deixava a gente ir embora, sempre emendando outros assuntos. Falou até do gato que andava na porra da sacada e blá, blá, blá... Depois de 1h10 de visita (elas geralmente duram no máximo 15 min), quando enfim conseguimos dizer que já estava tarde e precisávamos ir embora, afinal tinha outra visita, ele disse que também estava descendo e nos acompanhou até a esquina. Mais meia hora e conseguimos nos livrar.

Um dos primeiros foi longe. Pensa num lugar longe. Além do hábito de nos perdermos, rolou um trânsito. Descemos do busão e o cara já esperava do lado de fora. Aquele ar de caipiras-perdidos-descendo do busão nos delatou. Cumprimentamos. Pensei: "mas é aqui? tem até vaga pro carro...". Era tipo uma garagem. Pensa numa habitação em forma de paralelepípedo, sem paredes em volta e com janelas pequenas. O cara mostrou tudo. Disse que tinha um sótão e que era possível colocar visitas lá... Gostamos mesmo foi do caráter do cara: "olha se um de vcs ficarem por um ano eu posso até diminuir um pouco o valor, mas vocês tem que jurar não pro cara que tá morando ai..." 


Mais celular daqui, liga de lá, achamos uma outra. Marcamos às 18h30. Pela primeira vez conseguimos chegar no horário, ligamos e a pessoa disse que já estava descendo pra abrir. Passam 5 minutos e nada. A gente liga de novo e ela pergunta: "mas onde vcs tão?" E a gente: "aqui na frente". E dizia que não tava vendo a gente... até que ela pergunta o endereço. "Sim, estamos aqui na Via di Porta Maggiori, 69... ah, 79...". Aquela olhadela, e achamos um pouco mais pra frente. Quarto bem iluminado, muito barulhento (nessa via passa tipo um trem na rua), uma cozinha muito pequena e um banheiro ok. A moça era uma italiana (o que é bom para aprender a língua direito), das que não escova os dentes (difícil conversar com alguém que tem bafo). Parecia bem legal, mas morar em duas pessoas é um pouco triste. Conclusão, caro e triste.

Um pouco melhor localizados, já começamos a preferir uma região. Liguei prum cara que não me atendeu com toda vontade do mundo. Tropecei, me enrolei todo pra falar e o cara disse pra eu ligar no sábado pra conversar. Que cara folgado! Dez minutos depois o Dragoni ligou do celular dele e falou com o cara: marcou a visita pra parte da tarde. Marcamos mais duas praquela região, totalizando três naquela mesma tarde:

A primeira era num prédio na frente de uma espécie de minhocão que tem aqui. O lugar não parecia o dos mais agradáveis, mas perto do metrô. E o que importava mesmo era o lado de dentro. Fomos atendidos por um cara que parecia o Corcunda de Notre Dame, sem a corcunda. E o apartamento era sombrio como o habitat das Tartarugas Ninja. O cara era nojento, o lugar era zuado e o preço igual aos dos outros. O cara só podia tá de brincadeira!

A segunda foi a do cara que mandou eu ligar no sábado. O apartamento bem iluminado, limpo, dois italianos jovens. O apartamento tem três quartos. O vago tinha dois leitos, ou seja, esquema de dividir quarto. Despesas inclusas. Único ponto negativo era que o dono do ap era um dos italianos que também morava lá.

E a última daquele dia era próxima do primeiro. A mulher não quis dar o endereço. Preferiu encontrar a gente perto de um metrô. Encontramos ela e seu namorado, que falou um pouco de futebol enquanto entrávamos no carro e em dois minutos chagávamos. Não, não é possível! Puta que o pariu! Era o mesmo prédio do Corcunda! Eles devem ser capangas dele que tavam na nossa cola pra não deixar a gente fugir... Apesar de ser noite, o apartamento era um milhão de vezes melhor do que o outro (o que não era difícil...). A mulher mostrou tudo pra gente e lá no quarto mostrou um contrato cheio de cláusulas e dizendo que precisávamos pagar 3 meses adiantado, quando a prática do mercado era no máximo dois...

Muitas dúvidas rolando. Sempre aquelas coisas que a gente ouve muito, tipo: "ah, morar com brasileiro é ruim porque pratica pouco a língua". Só que também não se pode demorar muito escolhendo. Resolvemos pegar o quarto do cara que me mandou ligar no sábado. hehehehehe justo o cara que foi folgado. hehehehe

Ficamos satisfeitos. É perto do metrô, é mais barato que o do Corcunda, a região é mais agradável, fica num ponto estratégico pras faculdades. Muito bom.

Beijos,

Olé

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