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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Frescuras

Impossível não notar que esfria. Pode ser uma coisa lógica, mas pra alguém que é habituado com São Paulo, onde todas as estações (de lá) podem acontecer em um dia/semana/mês e não importa a época do ano. Estou habituado e me importar mais com a massa polar vinda da Argentina do que propriamente com a estação do ano.

Desde que cheguei aqui, as coisas foram literalmente esfriando. Logo no primeiro dia consegui pegar praia aqui. Entrei no mar. Escurecia depois das 20h...

Mas os avisos de que seria frio esse ano vinham assustando. Também influenciados pelo fato de no inverno passado (janeiro/fevereiro deste ano) ter nevado em Roma. O que não é normal: a última vez que isso tinha acontecido fazia mais de 20 anos!

Ainda em São Paulo, meu tio me ajudou a escolher roupas pro frio daqui na Decathon. Aliás, me deu de presente uma jaqueta essencial. (Ressalva: se vc for pra Roma, deixe pra comprar tudo na loja deles daqui porque é bem mais barato!).

Na viagem pra Assisi-Orvieto, entendi que essas botas de mulher faziam todo o sentido! Definitivamente frio não combina com pé molhado! Percebi que deveria ter alguma coisa parecida, já que aqui não é o Rio Grande do Sul, onde talvez fosse possível comprar uma masculina.

Na viagem pra Bologna-Ravenna-Rimini-San Marino, vi neve pela primeira vez. Foi através do vidro do busão. Vi do quentinho. Andando por Ravenna entendi o que era frio e estreei minhas luvas.

Na de Milão-Torino-Parma, invejei os que bebiam vinho. Vi neve acumulada de uns dias atrás (já tinha virado gelo sujo) em plena rua.

Esses dias, indo pra faculdade acabei não resistindo e aderi a mais uma frescura: o cachecol. Bastava qualquer ventinho frio e os homens daqui saiam desfilando. Está longe de ser do meu estilo/gosto. Mas, era outra coisa fundamental. O vento bate e o pescoço fica descoberto, não tem jeito. Sem contar que é versátil: dá pra proteger o rosto também. Depois de pechinchar muito com o camelô, e 4 euros a menos, entrei na "moda".

Ontem, tinha uma festa Erasmus. Não tava afim de ir. Puta frio! Mas era a "despedida" dos europeus que nessa época voltam para seus lares para passar o Natal. Eu, que não vou ver minha família no Natal pq a passagem é absurdamente cara (ou as daqui são absurdamente baratas) precisava sair de casa pra obrigação social. E no caminho, com três calças, duas camisetas, três blusas eu pensava: "Por que raios a gente não ouviu o Gabriel e resolveu passar o ano novo no Marrocos, no calor? Por que Berlim? Por quê? Ahhhhh!!!!!"

E pra finalizar: hoje algumas pessoas começavam a gritar no facebook: "neve, neve!". Corremos pra janela  (eu e o Dragoni) e de lá avistei os primeiros floquinhos caindo do além. É, existe! Que estranho! Mais pesado que espuma. Mais leve que água. hehehehe Batia na mão, derretia. Até deu vontade de sair, mas ela passou bem rápido.



Tentei filmar, mas a anta aqui em outra ocasião tinha mudado a configuração da câmera para baixa resolução então tá uma bosta. Mas tah ai pelo registro.




E como ano novo será em Berlim (lei-se -18ºC), vou ter q arranjar outra touca (tipo aquela de motoqueiro/esqui)... Decathon, ai vai meu dinheiro! hehehehe

Beijos,

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Primeira viagem - 2º dia 30/09/10


No segundo dia, acordamos, mandamos aquele café-da-matina e seguimos viagem em direção à Costa do Gargano, que diziam ser muito bonita.

E de fato era. Como o Possa havia comprado um GPS, usamos caminhos alternativos (leia sem pedágio). O preço foi mais tempo na estrada, que talvez tenha feito alguma diferença no fim do dia, na última cidade, já que estava escurecendo e ...(depois eu conto isso).

A primeira parada foi em um dos grandes lagos, o Lago di Lesina. Olhamos e nem tivemos vontade de descer do carro. "Era isso?". "Bom, calma pode ser que seja só esse...".

Pausa.... Claro, faltou eu apresentar os viajantes. O Possa você já deve conhecer do primeiro email. Meu amigo que já está aqui em Roma há mais de 6 meses. O Dragoni (Thiago) é outro amigo de velha data e que agora é meu companheiro de quarto em Roma. O terceiro (e último porque o carro é muito pequeno!) é o Tiago Marcon, que apesar de ser da FAU, só o conhecemos aqui.

Continuando... o outro lago era bem mais legal. O Marcon foi o único a entrar no segundo lago (Lago di Varano). Não estava frio. Aliás, foi um dos pontos que nos fez decidir ir pro sul: pegar algum sol. Enquanto o Marcon brincava ali na margem bem próxima, eu e o Dragoni tirávamos fotos. E o Possa fazia amizade com um francês X que morava na Itália há um tempo e tava doido pra contar a História da Sua Vida...


O caminho foi ficando cada vez mais bonito. Parecia uns cenários do Rio, ou mesmo do litoral norte de São Paulo, que conforme sobe umas montanhas, da estrada dá pra ver o mar. Não teve como não parar ali e fazer umas fotos. Ainda mais com uma cidade muito loka (leia linda) branca quase se debruçando sobre o penhasco. O nome desta cidade era Peschici, mas com peso na consciência resolvemos não parar na cidade porque ainda faltava muito chão pela frente.



Mas em Vieste paramos. Genial. Também branca, muito branca. A cidade inteira. Um puta contraste com o céu azul. Animal! Era pequena, nem dava graça de se perder nela. Achamos o primeiro castelo (pelo menos que eu já tinha visto). Pequeno também, mas não pudemos entrar porque era do exército.



Nela também me senti bem burro porque acabou a bateria da minha câmera!!!!!!! AH!!!!!!!!! Tah, eu tinha uma reserva, mas sei lá porque estava com pau (a carga durou menos de duas fotos!). Fiquei sem as fotos daqui pra frente. Estava com minha compacta velha de guerra, mas sua bateria quis durar 15 minutos também.... Fotos só com os olhos.

Voltamos pra estrada e por nossa sorte estávamos com o GPS. Só nessas horas que conseguimos mensurar o valor de um aparelhinho desses. Fora as várias oportunidades que tivemos de nos perder (e não o fizemos por causa dele!), teve uma que foi mais claro. Pensando em economizar tempo, afinal, segundo nossa programação inicial, faltavam ainda Matinata e San Giovanni Rotondo e já estava escurecendo. Pode parecer idiota, mas a luz é muito fundamental pra conhecer um lugar. Suas cores, seus habitantes ocupando o espaço... Além disso, o cara do albergue em San Giovanni Rotondo ligou pro Possa dizendo que tínhamos que chegar até as 20h! Ah, obrigado por avisar agora!

Bom, entramos em um ponto esperando o GPS "reorganizar a rota" pra Matinata. Beleza, ele fez. Era uma estradinha em direção ao interior, cortando a curva que faríamos pela estrada normal beirando o mar. Ela foi ficando menor, menor... passamos por rebanho de cabras, andamos em pedras, desviamos de árvores descemos um barranco... e achamos q fomos longe demais. Sério, o Pandinha não ia aguentar! Voltamos.

Entramos em Matinata e descobrimos a cidade com maior expectativa de vida do mundo! Ou aquela hora era a saída do bingo, ou era dia de buscar a pensão... sério, não vi jovens ali. Claro, tudo isso olhando de dentro do carro, pois não tínhamos muito tempo pra explorá-la. É bem provável que seja impressão nossa, mas valeu pela piada.

A última parada (já quase sem luz) era a cidade do famoso Padre Pio, que é um santo "contemporâneo" (morreu em 1968) e exumado em 2008 (se preferir, veja este vídeo) muito popular aqui na Itália. Conhecido por ter chagas, curar enfermos e por, depois de 40 anos enterrado, não ter se decomposto! Este fenômeno é chamado de corpos incorruptos. Chegamos lá achando que iríamos vê-lo, mas ele estava em outra câmara. Pra ver alguma coisa, só no videozinho abaixo:


Por conta dele, San Giovanni Rotondo é muito visitada. Tem uma igreja moderna bem bonita. Coisas modernas aqui na Itália são estranhas! Mas a proposta arquitetônica é muito boa. Apesar de terem exagerado nos "dourados", e algumas passagens internas fazia parecer um templo egípcio.

Acabei passando um pouco mal no fim da visita à igreja. Dor de cabeça, não sei. Lavei o rosto e melhorei um pouco. Comemos um Kebab, muito comum pela Itália e fomos dormir.

Aliás, que frio!

Olé

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Primeira viagem - 1º dia 29/09/10

Por causa da greve aqui na faculdade, rolou um tempo livre pra poder viajar. Como o Possa tá há mais tempo aqui, fica mais fácil a gente já pensar nisso no começo.

E nessa hora que faz diferença ter carteira internacional de motorista. Podemos fechar uma galera e alugar um carro. Fica muito mais barato do que ônibus ou trem.

Saímos de Roma e fomos pra L'Aquila, cidade arrasada por um terremoto há um ano e pouco. Podemos chamá-la também de cidade fantasma. Depois passamos no Parco Gran Sasso, mas não tinha nada pra fazer. Pelo menos muito aparente, afinal não é inverno e a estação de esqui tah fechada. Depois passamos em Altri, uma cidade bem pequena, bonita e com uma igreja muito bonita que tinha umas escavações no chao. Penne também era bonita e tinha uma bela vista pruns morros. Paramos em Pescara, cidade que tinha o melhor "albergue" (entre aspas porque tava muito mais pra hotel!) e a pizza com melhor custo benefício do mundo!



Inclusive, é bom contar que quando saíamos da pizzaria levando as pizzas pra comer no calçadão da praia, um homem abordou a gente. Parecia que ele ia pedir informação, mas do nada ele puxou sua carteira se identificando como policial e solicitando a nota fiscal! Por sorte eu havia pedido. O Possa deu uma cutucada de leve falando pra ele "Nossa, que rígido, hein?!" e respondeu "É, aqui é a Itália". Quase que eu falei pra ele: "Você tá de brincadeira, né!?"... mas ele só perguntou se a gente ia comer lá na praia e foi embora. Tirando o hotel, a pizza e a emoção ai do cupom fiscal, nada de mais.

Olé

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Golpe dos 600 euros do Visa Travel Money

Pra entrar na casa e ocupar o quarto escolhido, nada mais importante do que o dinheiro. Como havíamos feito o Visa Travel Money (vulgo VTM), bastava ir em qualquer caixa eletrônico daqui (que fica praticamente na rua!) e tirar a grana.

Estávamos com as malas. Atravessamos pro outro lado da rua do Possa pra ir ao caixa. O Dragoni que já tinha tirado dinheiro, foi fazer o saque primeiro. Eu nem tava prestando atenção nele quando eu vejo q ficou puto: "Ela engoliu o meu cartão!". Como assim?

Bom, vamos chamar alguém do banco... Tava fechado. "Como assim? Agora são 13h...". Eles fecham pro almoço. Puta que o pariu. E grita, esperneia, xinga. Chegam pessoas, inclusive o gerente do banco (que estava do lado de fora).

Depois de tomarmos um puta chá de cadeira, gastarmos grana ligando pro Brasil pra informar o Banco Rendimento o que aconteceu, perder uma horas esperando a porra de um fax chegar da terrinha dizendo que o cartão era do Dragoni...entendemos o que aconteceu: terminados os procedimentos de senha e blábláblá, a máquina devolve o cartão, mas se ninguém o tira dali, ela torna a engoli-lo por segurança (pra sempre!) e não solta o dinheiro.

Você deve estar se perguntando: "por que um fax do Brasil?". Porque o cartão NÃO TEM O NOME GRAFADO! Dizem que é por causa de segurança, blá blá blá. Tá, ele não tinha assinado o cartão, mas do jeito que as pessoas inventam burocracias aqui na Itália, não duvido que pedissem outra coisa pra liberar o cartão. Falariam: "Tá assinado, mas você pode ter achado na rua sem assinatura e assinado depois..."

O Dragoni acabou achando melhor não cancelar o cartão e esperar o banco brazucah enviar o fax. Três dias depois chega o fax (veio de navio) e ele consegue recuperar o cartão.

Problema maior: os 600 euros que ele tentou sacar constava como sacado no extrato! A Visa disse que quem diz se foi efetuado o saque ou não é o banco! Ora, quanta facilidade pra dar o golpe nuns estrangeiros!

Mas estamos certo que tudo será resolvido, afinal não tem como a máquina liberar o dinheiro se o cartão foi engolido exatamente porque é como se o seu dono estivesse esquecido-o! E todas as vezes que a gente tenta sacar, o dinheiro só sai quando retiramos o cartão, o qual fica ali por 30 segundos.

Ele solicitou uma investigação para a Visa Internacional, mas se concluirem que ele está errado, além dos 600 euros que lhe roubaram, cobram mais 20 por custos operacionais!!!!!

É esperar!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Casas Engraçadas

Depois de ir atrás de algumas burocracias italianas (se eu não fosse brasileiro acharia que isso era pleonasmo, redundância...), é chegada a hora de dar adeus à casa do Possa. Afinal, amigos, amigos, habitação à parte.

Ele cedeu não só um espaço pra mim e pro Dragoni. Seu quarto tem duas camas: uma de casal e outra de solteiro. A primeira é sua oficial, a outra só aparece quando as visitas chegam. Como tem medo de homem, preferiu dormir na de solteiro e deixou os outros dois postos pra gente. A cama é bem grande e isso é bom porque a possibilidade de encontro com o Dragoni é praticamente zero! Então, chegamos à conclusão de que o Possa poderia dormir em sua cama com um de nós e não sofrer naquela outra. Quando você sabe de que ele fez questão de arranjar um quarto sozinho porque se não "ia matar a outra pessoa" é possível perceber que rola uma aversão à pessoas muito próximas.

Então, não era muito bom demorar procurando a nova casa. Talvez seja um dos momentos mais tensos da viagem porque a gente não conhece a cidade (não tem noção de distâncias, de facilidade de transporte, não conhece a cara das ruas... enfim, não sabe porra nenhuma) e já tem que decidir onde vai morar, o que significa o seu gasto mais relevante da viagem, afinal aqui é Roma!

Compra jornal. Procura na internet. E dali algum tempo começamos a sair pra fazer as visitas. Não sabemos o que queremos ainda, mas precisamos dessas ai pra pelo menos ter noção de alguma coisa.

Marcamos alguns pontos importantes no Google Maps (viva a net!) e os apartamentos.

Um dos lugares que fomos o que mais marcou foi que era um apartamento grande, tinham dois gatos, um playground pra eles e o dono falava muito e muito rápido! Não dava pra entender um cazzo do que o cara dizia! E não deixava a gente ir embora, sempre emendando outros assuntos. Falou até do gato que andava na porra da sacada e blá, blá, blá... Depois de 1h10 de visita (elas geralmente duram no máximo 15 min), quando enfim conseguimos dizer que já estava tarde e precisávamos ir embora, afinal tinha outra visita, ele disse que também estava descendo e nos acompanhou até a esquina. Mais meia hora e conseguimos nos livrar.

Um dos primeiros foi longe. Pensa num lugar longe. Além do hábito de nos perdermos, rolou um trânsito. Descemos do busão e o cara já esperava do lado de fora. Aquele ar de caipiras-perdidos-descendo do busão nos delatou. Cumprimentamos. Pensei: "mas é aqui? tem até vaga pro carro...". Era tipo uma garagem. Pensa numa habitação em forma de paralelepípedo, sem paredes em volta e com janelas pequenas. O cara mostrou tudo. Disse que tinha um sótão e que era possível colocar visitas lá... Gostamos mesmo foi do caráter do cara: "olha se um de vcs ficarem por um ano eu posso até diminuir um pouco o valor, mas vocês tem que jurar não pro cara que tá morando ai..." 


Mais celular daqui, liga de lá, achamos uma outra. Marcamos às 18h30. Pela primeira vez conseguimos chegar no horário, ligamos e a pessoa disse que já estava descendo pra abrir. Passam 5 minutos e nada. A gente liga de novo e ela pergunta: "mas onde vcs tão?" E a gente: "aqui na frente". E dizia que não tava vendo a gente... até que ela pergunta o endereço. "Sim, estamos aqui na Via di Porta Maggiori, 69... ah, 79...". Aquela olhadela, e achamos um pouco mais pra frente. Quarto bem iluminado, muito barulhento (nessa via passa tipo um trem na rua), uma cozinha muito pequena e um banheiro ok. A moça era uma italiana (o que é bom para aprender a língua direito), das que não escova os dentes (difícil conversar com alguém que tem bafo). Parecia bem legal, mas morar em duas pessoas é um pouco triste. Conclusão, caro e triste.

Um pouco melhor localizados, já começamos a preferir uma região. Liguei prum cara que não me atendeu com toda vontade do mundo. Tropecei, me enrolei todo pra falar e o cara disse pra eu ligar no sábado pra conversar. Que cara folgado! Dez minutos depois o Dragoni ligou do celular dele e falou com o cara: marcou a visita pra parte da tarde. Marcamos mais duas praquela região, totalizando três naquela mesma tarde:

A primeira era num prédio na frente de uma espécie de minhocão que tem aqui. O lugar não parecia o dos mais agradáveis, mas perto do metrô. E o que importava mesmo era o lado de dentro. Fomos atendidos por um cara que parecia o Corcunda de Notre Dame, sem a corcunda. E o apartamento era sombrio como o habitat das Tartarugas Ninja. O cara era nojento, o lugar era zuado e o preço igual aos dos outros. O cara só podia tá de brincadeira!

A segunda foi a do cara que mandou eu ligar no sábado. O apartamento bem iluminado, limpo, dois italianos jovens. O apartamento tem três quartos. O vago tinha dois leitos, ou seja, esquema de dividir quarto. Despesas inclusas. Único ponto negativo era que o dono do ap era um dos italianos que também morava lá.

E a última daquele dia era próxima do primeiro. A mulher não quis dar o endereço. Preferiu encontrar a gente perto de um metrô. Encontramos ela e seu namorado, que falou um pouco de futebol enquanto entrávamos no carro e em dois minutos chagávamos. Não, não é possível! Puta que o pariu! Era o mesmo prédio do Corcunda! Eles devem ser capangas dele que tavam na nossa cola pra não deixar a gente fugir... Apesar de ser noite, o apartamento era um milhão de vezes melhor do que o outro (o que não era difícil...). A mulher mostrou tudo pra gente e lá no quarto mostrou um contrato cheio de cláusulas e dizendo que precisávamos pagar 3 meses adiantado, quando a prática do mercado era no máximo dois...

Muitas dúvidas rolando. Sempre aquelas coisas que a gente ouve muito, tipo: "ah, morar com brasileiro é ruim porque pratica pouco a língua". Só que também não se pode demorar muito escolhendo. Resolvemos pegar o quarto do cara que me mandou ligar no sábado. hehehehehe justo o cara que foi folgado. hehehehe

Ficamos satisfeitos. É perto do metrô, é mais barato que o do Corcunda, a região é mais agradável, fica num ponto estratégico pras faculdades. Muito bom.

Beijos,

Olé

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Primeiras horas

E ae?!

Então cheguei!

Puta dificuldade! hehehehehe

Primeiro pra levar as coisas. Tinha uma mochila (aquela dos tempos do acampamento Rep Lago) q tem uns 90 litros (sim, a laranja). E ganhei outra da minha irmã (mas essa era uma mala de viagem de verdade! profissa!). Eu só poderia levar dois volumes de 32 kg mais a bagagem de mão. Então pensei: fechou, tenho duas malas e já era. Pré-arrumei a mala faltando uns dias e claro, deixei para fechá-la na última hora. Não dormi na última noite organizando a mala e arrumando bagunças de anos entulhadas.

Cheguei no aeroporto e achei melhor embalar as duas malas nuns caras q dão seguro e tudo mais. Eles passam um plástico tipo papel filme. Pronto, gênio! Ninguém abre a mala, se extraviar tem seguro blábláblá... Vou fazer check in e.... excesso de peso!!!!! Porra..., "mas foi só um pouquinho, moça...". E obviamente a francesa que trabalha na companhia aérea: "Não! Lei brasileira. Não pode ser mais do que 32 pra não machucar as costas dos trabalhadores". Tá, beleza! Justo. Sou muito buro: tive que tirar os plásticos e remanejar as malas. Antes de envolopá-las de novo. Sim, passei pela porra da balança e deu certo.

Depois do choro no aeroporto e várias horas dentro do avião, chego a Amsterdã pra conexão. Lá do alto, o pouco que vi posso resumir em uma palavra: organização. Aquele lugar deve ser muito chato! Uma paradinha no freeshop pra olhar ipod (só olhar e entender esse negócio de freeshop) e quase chego atrasado pra pegar o segundo vôo por que o aeroporto era gigante! Puta demora praticamente correndo pelas esteiras rolantes. Tava "barato" o ipod, mas deixa pra lá...

Mais duas horinhas e chego em Roma! Lembra que eu envelopei as malas? Uma era tipo uma mochila grande (isso, a q eu levava pro Rep Lago!)... então, precisei tirar o plástico pra colocar nas costas = mais uns 10 minutos nessa tarefa! Acho que o policial ficou com pena de mim e nem encheu o saco na hora da entrada.

Pena? Talvez ele imaginasse q eu ia pegar um trem do aeroporto (q fica uns 40 km de Roma). O problema não foram os 40 km, mas o trajeto da sala de desembarque até a plataforma do trem (sei lá, uns 500 metros). Tudo tava muito pesado e o remanejamento acabava não permitindo eu levar a porra da mala nas costas (isso, a do R...). E o carrinho do aeroporto era alugado!!!!! E custava um euro! Um absrudo! hehehehe Era só colocar tudo em cima da mala de rodinha e puxar de costas. Boa, tem aquelas esteiras rolantes até o trem, maaaaaas tinha uns obstáculos no começo de cada esteira q faziam eu parar em todas as 10 esteiras pra tirar tudo de cima da mala de rodinha e remontar....

Duas horas depois, cheguei na estação q ficava há uns 3,5 km da casa do meu amigo que já mora aqui há 6 meses, o Possa. Não conseguia ligar pra ele avisando. Gastei 0,50 centavos ligando errado! Desencanei e resolvi pegar um taxi. Combinei com o taxista DEZOITO EUROS!!!! pelos 3,5km!!!!!! O cara era muito chato. Quando avistou a rua (q na verdade era uma avenida), não sabia pra qual lado era. Tentei ajudar, ser legal e deu certo! Acertamos o lado.

Mas tava um puta transito! Ai, ele disse pra mim: "vai a pé que tá tudo congestionado". Eu fingi que não entendi. O cara tava de brincadeira!!!!! A gente tinha combinado DEZOITO EUROS pelos TRÊS QUILÔMETROS E MEIO!!!!!! Ai ele insistiu e eu disse q só se ele cobrasse metade! O cara deu o cartão de boas-vindas dele: recebi o primeiro xingo de um romano ...fanculo!... O cara ficou puto, jogou o carro na contra mão e me deixou no lugar. Na verdade, o número 85 não estava na mesma quadra do 95 e tive que andar mais um pouco...

Cheguei na casa do meu amigo (o Possa) e ele não estava. Quem me recebe? O outro amigo (o Dragoni) que tinha chegado no dia anterior. E onde estava o anfitrião? Foi me esperar na estação, a 3,5 km.... Liguei pra ele, e mais xingos... Mas no fim ele foi bem legal e comprou meu "abbonamento" de estudante, que me dá direito de andar durante um mês pela Itália por Roma, usando qualquer dos meios de transportes públicos. Quanto? 18 euros... é, o mesmo valor do taxi por 3,5km!!!!!

Tomei um banho e fomos dar uma volta no centro. Encontramos um pessoal, comemos uma pizza romana (eu prefiro a nossa, mas eles preferem a deles...; disseram que a pizza napolitana é melhor, ainda não experimentei...) e fomos para o centro tomar sorvete, aliás muito bom o sorvete. De fruta de verdade.

No dia seguinte, sábado, fomos pra praia. Pegamos metro, trem e um busão, chegamos na praia. Sussa. Levamos um violão pra fazer um sonzinho, mergulhei no Mar Tirreno e joguei um pouco de bola sozinho.

Bom, vai dar quase duas semana que estou aqui. Depois eu mando mais histórias, mas saibam que eu já arranjei lugar para morar. To dividindo quarto com aquele amigo q chegou no dia anterior (o Dragoni). Talvez amanhã role uma viagem pro sul italiano, ainda não sabemos. Depois eu conto tudo.

Baci,

Olé